Ter espinhas aos 25, 30 ou 40 anos pode causar estranhamento, principalmente para quem acreditava que a acne ficaria definitivamente na adolescência. Mas a acne adulta feminina é reconhecida na literatura dermatológica e pode tanto persistir desde a juventude quanto aparecer pela primeira vez depois dos 25 anos.
Entender o que está acontecendo é mais útil do que assumir imediatamente que existe um “problema hormonal”. Hormônios podem participar do quadro, mas não são a única explicação. Oleosidade, inflamação, predisposição individual, cosméticos, medicamentos e outros fatores também precisam ser considerados. Ao longo deste conteúdo, você entenderá os sinais mais comuns, os cuidados que fazem sentido e em quais situações vale procurar uma dermatologista.
Resposta rápida
A acne adulta feminina é a acne que permanece ou surge depois dos 25 anos. Ela pode ter influência hormonal, mas é um problema multifatorial e não significa automaticamente síndrome dos ovários policísticos ou outra alteração hormonal. O tratamento depende do tipo e da gravidade das lesões e pode incluir ajustes no skincare, medicamentos tópicos e, em alguns casos, tratamentos sistêmicos prescritos por uma dermatologista, conforme a literatura especializada.
O que é acne adulta feminina?
Na literatura dermatológica, costuma-se utilizar o termo acne feminina adulta para descrever a acne presente em mulheres com mais de 25 anos. Ela pode continuar de maneira constante ou intermitente desde a adolescência ou começar somente nessa fase da vida, como descreve o guia clínico publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia.
Essa diferenciação ajuda a compreender que não existe apenas um padrão de acne adulta feminina. Duas mulheres da mesma idade podem apresentar espinhas semelhantes no espelho, mas ter históricos e fatores associados diferentes.
Acne persistente
A acne persistente começa na adolescência e continua, com períodos melhores e piores, depois dos 25 anos. Em algumas mulheres, as lesões nunca desaparecem completamente; em outras, passam meses quase imperceptíveis e voltam a aparecer em determinados períodos.
Esse padrão é relevante porque desfaz a ideia de que toda acne depois dos 25 anos surgiu por causa de alguma mudança recente. Para algumas mulheres, trata-se da continuação de um problema que começou anos antes.
Acne de início adulto
Outra possibilidade é a acne aparecer pela primeira vez na vida adulta. A mulher pode ter passado pela adolescência praticamente sem espinhas e começar a perceber cravos, pápulas ou lesões inflamadas aos 25, 30 anos ou mais tarde.
Nesses casos, a avaliação do histórico ganha ainda mais importância. Mudanças hormonais, medicamentos, produtos utilizados na pele e nos cabelos e outros fatores podem fazer parte da investigação, mas nenhum deles deve ser apontado como culpado sem avaliação adequada.
Por que a acne pode continuar depois dos 25 anos?
A acne não acontece simplesmente porque a pele está “suja”. Sua formação envolve o folículo pilossebáceo, produção de sebo, obstrução, atividade microbiana e processos inflamatórios. Na mulher adulta, outros elementos individuais também podem participar do quadro.
A literatura especializada descreve a acne feminina adulta como uma condição multifatorial. Portanto, procurar uma única explicação para todos os casos tende a simplificar demais o problema.
Produção de sebo e obstrução dos folículos
As glândulas sebáceas produzem sebo, uma substância natural que participa da proteção da pele. O problema não é simplesmente “ter óleo no rosto”. A acne se desenvolve quando diferentes processos favorecem a obstrução do folículo e a formação das lesões.
Por isso, tentar retirar toda a oleosidade com sabonetes agressivos, adstringentes fortes ou lavagens repetidas não resolve necessariamente o problema. Irritar a pele pode deixar o cuidado ainda mais difícil.
Inflamação e formação das lesões
A acne pode aparecer de maneiras diferentes. Cravos são chamados de comedões. Pápulas são pequenas lesões inflamadas e avermelhadas, enquanto pústulas apresentam conteúdo purulento visível. Já nódulos são lesões mais profundas e podem ser dolorosos.
Essa diferença é importante porque o tratamento não é igual para todos os quadros. Uma mulher com poucos comedões não necessariamente receberá a mesma abordagem de quem apresenta nódulos profundos ou cicatrizes.
Predisposição individual e fatores genéticos
A predisposição genética também aparece entre os fatores relacionados à acne adulta. Isso ajuda a compreender por que duas pessoas com rotinas semelhantes podem reagir de maneira completamente diferente.
Ter familiares que apresentaram acne não determina que você terá o mesmo quadro ou a mesma gravidade. Significa apenas que características individuais também fazem parte da equação.
Influência hormonal
Os andrógenos — hormônios presentes tanto em mulheres quanto em homens — podem influenciar as glândulas sebáceas. Em algumas mulheres, alterações hormonais ou maior sensibilidade da pele aos hormônios podem participar da acne.
Mas existe uma diferença fundamental entre dizer que os hormônios podem influenciar a acne e afirmar que toda acne adulta é causada por “hormônios desregulados”. A segunda frase é uma generalização que não deve ser usada como diagnóstico.
Estresse e rotina
Algumas mulheres percebem piora das espinhas em períodos de estresse intenso. Isso não significa que “ficar nervosa causa acne” de forma simples e direta, mas o organismo e a pele respondem a diferentes estímulos.
Além disso, fases estressantes costumam vir acompanhadas de mudanças de sono, alimentação, rotina de cuidados e manipulação da pele. O contexto completo é mais informativo do que procurar um único culpado.
Cosméticos, maquiagem e produtos para cabelos
Produtos utilizados no rosto e nos cabelos também precisam entrar na avaliação. Algumas formulações podem favorecer obstrução dos poros em pessoas predispostas.
A American Academy of Dermatology recomenda que quem tem tendência à acne procure cosméticos, protetores solares e produtos de cuidados identificados como “não comedogênicos” ou formulados para não obstruir os poros. Isso não significa que um rótulo garanta resultado perfeito para todas as peles, mas é um critério útil de escolha, segundo as orientações de cuidado com acne da AAD.
Como costuma ser a acne na mulher adulta?
A acne adulta não precisa apresentar exatamente o mesmo aspecto da acne da adolescência. Pode haver cravos, lesões inflamadas pequenas, pústulas, nódulos e marcas deixadas por inflamações anteriores.
Também não existe uma regra dizendo que toda mulher adulta terá acne somente em determinada parte do rosto.
Cravos, pápulas, pústulas e nódulos
Cravos podem ser abertos, com aparência escurecida, ou fechados, formando pequenas elevações. Pápulas são lesões inflamadas sem conteúdo purulento aparente. Pústulas são as conhecidas espinhas com ponta esbranquiçada ou amarelada.
Nódulos ficam mais profundamente na pele e podem causar dor. Quando a acne é profunda, persistente ou deixa cicatrizes, tentar controlar o problema apenas com cosméticos pode atrasar um tratamento mais adequado.
Acne no queixo e na mandíbula é sempre hormonal?
Não. É comum encontrar conteúdos nas redes sociais afirmando que espinhas no queixo ou na mandíbula são uma espécie de “mapa hormonal”. Essa interpretação é simplificada demais.
A distribuição das lesões pode fazer parte da avaliação médica, mas a localização isolada não comprova hiperandrogenismo, síndrome dos ovários policísticos ou qualquer outra alteração endócrina.
É possível uma mulher ter lesões na mandíbula sem apresentar uma doença hormonal e outra apresentar alterações hormonais com um padrão diferente de acne.
A acne pode aparecer em outras regiões do rosto?
Sim. A acne pode atingir diferentes regiões da face e também outras áreas do corpo.
Por isso, não tente encaixar seu rosto em diagramas rígidos encontrados na internet. Para uma avaliação correta, contam o tipo das lesões, a gravidade, a duração, o histórico, os medicamentos utilizados, o ciclo menstrual, outros sinais clínicos e a resposta a tratamentos anteriores.
Como saber se a acne adulta pode ter relação hormonal?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes sobre acne adulta feminina, mas não existe um teste caseiro capaz de dar a resposta.
Uma dermatologista pode considerar o histórico da acne e observar outros sinais. Quando existe suspeita clínica de hiperandrogenismo ou de uma condição como a síndrome dos ovários policísticos, a investigação pode envolver outros profissionais e exames, dependendo do caso.
Quais outros sinais devem ser mencionados na consulta?
Alterações importantes ou persistentes no ciclo menstrual, crescimento excessivo de pelos em padrão compatível com hirsutismo e outros sintomas associados merecem ser relatados.
Isso não significa que uma mulher com qualquer irregularidade menstrual e espinha tenha uma doença hormonal. Significa que esses elementos ajudam a profissional a enxergar o quadro como um conjunto.
Acne significa síndrome dos ovários policísticos?
Não.
A síndrome dos ovários policísticos, conhecida como SOP, é uma condição que exige critérios próprios para diagnóstico. A acne pode aparecer entre manifestações relacionadas ao hiperandrogenismo, mas não é suficiente para confirmar SOP. As diretrizes internacionais para SOP ressaltam que acne isolada é um indicador relativamente fraco de hiperandrogenismo bioquímico.
Portanto, receber um diagnóstico de SOP apenas porque apareceram espinhas não é uma avaliação adequada.
Toda mulher com acne adulta precisa fazer exames hormonais?
Não existe uma regra simples segundo a qual toda mulher com acne depois dos 25 anos precisa solicitar uma bateria de exames hormonais por conta própria.
A necessidade de investigação depende da história clínica, do exame físico, de sintomas associados e da avaliação profissional. Fazer exames aleatórios também pode gerar interpretações equivocadas quando os resultados são analisados sem contexto.
O que você precisa saber sobre acne adulta feminina
Alguns pontos ajudam a separar informação dermatológica de mitos comuns:
- Acne não é exclusiva da adolescência. Ela pode permanecer ou surgir depois dos 25 anos, como descreve a literatura dermatológica.
- Nem toda acne adulta é hormonal. Hormônios são apenas uma parte possível de um quadro multifatorial.
- Acne no queixo não confirma SOP. A localização da espinha, sozinha, não estabelece diagnóstico.
- Ter acne não significa falta de higiene. Lavar demais ou esfregar a pele pode aumentar irritação, conforme orienta a AAD.
- Espremer não acelera um tratamento. Manipular lesões aumenta inflamação e pode contribuir para marcas e cicatrizes, segundo a AAD.
- Uma rotina cheia de produtos não é necessariamente melhor. Tolerância e constância costumam ser mais úteis do que trocar de produto toda semana.
- Tratamentos precisam ser individualizados. A terapia indicada para uma amiga pode não ser adequada para você.
- Acne profunda ou com cicatrizes merece atenção. Nesses casos, a avaliação dermatológica pode evitar que o problema progrida.
Skincare para acne adulta: quais cuidados fazem sentido?
Uma rotina para pele com acne não precisa ter dez etapas. Muitas vezes, limpeza gentil, hidratação adequada, tratamento indicado e proteção solar formam uma base mais racional.
O objetivo não é deixar o rosto completamente seco, e sim cuidar da acne sem criar um segundo problema: irritação intensa da barreira da pele.
Limpeza sem agressão
A American Academy of Dermatology orienta lavar gentilmente a pele acneica até duas vezes ao dia e após situações de suor intenso. O produto deve ser suave, e esfregar o rosto com buchas, toalhas ou escovas não é necessário, segundo as orientações de autocuidado da AAD.
Se você sente que precisa lavar o rosto cinco ou seis vezes por dia para retirar óleo, talvez seja o momento de rever a rotina. Mais limpeza não significa automaticamente menos acne.
Hidratação também pode fazer parte da rotina
Pele oleosa pode precisar de hidratante. Essa informação costuma causar estranhamento porque oleosidade e hidratação são frequentemente tratadas como a mesma coisa.
Tratamentos contra acne podem causar ressecamento ou irritação. Nesses casos, um hidratante compatível com pele acneica pode melhorar o conforto e ajudar a manter a rotina. A AAD também recomenda evitar a estratégia de tentar “secar” completamente a pele.
Como escolher cosméticos e maquiagem
Ter acne não significa abandonar maquiagem para sempre.
O cuidado está na escolha e na remoção. Produtos não comedogênicos são uma opção mais adequada para pessoas propensas a obstrução dos poros, e dormir maquiada deve ser evitado. Pincéis, esponjas e aplicadores também precisam ser de uso individual e mantidos limpos, conforme as orientações da AAD.
Se você percebe que as espinhas começaram ou pioraram depois de incluir um produto específico, anote quando iniciou o uso. Essa informação pode ser útil para identificar padrões.
Proteção solar e manchas
A proteção solar merece espaço na rotina, principalmente quando a acne deixa marcas escuras após a inflamação.
O protetor não “cura” a acne, mas a fotoproteção faz parte de uma rotina dermatológica cuidadosa e ajuda no manejo da pigmentação. Escolha uma textura confortável e, se sua pele apresenta tendência a cravos e espinhas, procure opções não comedogênicas. A AAD também aborda cuidados específicos para acne e marcas em diferentes tons de pele.
Quais tratamentos podem ser usados para acne adulta?
O tratamento depende da gravidade, do tipo de lesão, da presença de cicatrizes, do histórico da paciente e de situações específicas, como gravidez ou tentativa de engravidar.
As diretrizes atualizadas da American Academy of Dermatology incluem opções tópicas e sistêmicas e reforçam que a abordagem deve ser individualizada.
Peróxido de benzoíla
O peróxido de benzoíla é um dos tratamentos tópicos com recomendação nas diretrizes atuais para acne. Ele atua por mecanismos úteis no controle das lesões, mas pode provocar ressecamento ou irritação em algumas pessoas, conforme atualização divulgada pela American Academy of Dermatology.
Isso significa que “quanto mais forte, melhor” não é uma boa regra. Forma de uso, concentração e combinação com outros tratamentos precisam considerar tolerância e orientação adequada.
Ácido azelaico
O ácido azelaico também aparece entre as alternativas usadas no tratamento da acne e pode ser especialmente interessante quando há preocupação com hiperpigmentação pós-inflamatória.
O consenso latino-americano sobre desafios do tratamento da acne inclui o ácido azelaico entre as opções tópicas discutidas para a mulher adulta.
Retinoides tópicos
Retinoides tópicos, como adapaleno e outras moléculas da classe, possuem papel importante no tratamento da acne e aparecem entre as recomendações da AAD. Eles ajudam a atuar na formação de comedões e no processo inflamatório.
São ativos que podem irritar, principalmente no início. Além disso, gravidez, amamentação ou tentativa de engravidar mudam a avaliação de segurança de diversos medicamentos. Por isso, não copie uma rotina de outra pessoa.
Antibióticos
Antibióticos tópicos ou sistêmicos podem fazer parte do tratamento em situações selecionadas, mas não devem ser encarados como produtos para usar indefinidamente.
As diretrizes da AAD recomendam limitar o uso de antibióticos sistêmicos e utilizar peróxido de benzoíla em associação aos antibióticos quando apropriado, entre outras estratégias destinadas a reduzir o desenvolvimento de resistência bacteriana.
Nunca utilize sobras de antibiótico de outra pessoa ou retome uma receita antiga por conta própria.
Tratamentos hormonais
Contraceptivos orais combinados e espironolactona estão entre as possibilidades terapêuticas consideradas em mulheres selecionadas com acne, de acordo com as diretrizes da AAD.
Mas isso não significa que anticoncepcional seja “tratamento universal para espinha” nem que a espironolactona possa ser iniciada porque alguém teve bons resultados nas redes sociais. Histórico de saúde, contraindicações, outros medicamentos, planejamento reprodutivo e exames podem interferir na decisão.
Isotretinoína
A isotretinoína é uma opção importante para determinados casos de acne grave ou que não respondem adequadamente às terapias convencionais. As diretrizes atualizadas mantêm sua indicação em cenários apropriados.
É um medicamento que exige acompanhamento médico. Não deve ser tratado como solução estética rápida, principalmente por envolver cuidados específicos e importantes riscos na gravidez.
Atenção: 7 erros que podem piorar o cuidado com a acne
Alguns hábitos parecem intuitivos, mas podem aumentar irritação ou dificultar a avaliação do que realmente está funcionando.
1. Espremer as espinhas
É difícil resistir quando uma espinha está muito visível, mas apertar pode empurrar conteúdo e inflamação para regiões mais profundas. Isso aumenta a possibilidade de dor, marcas e cicatrizes, como reforçam as orientações da AAD.
2. Lavar o rosto muitas vezes ao dia
Oleosidade não deve ser combatida com lavagens constantes. A AAD orienta a limpeza gentil até duas vezes ao dia e depois de suar. Lavar repetidamente pode irritar a pele.
3. Esfregar ou esfoliar agressivamente
Acne não sai por atrito. Buchas ásperas, escovas e esfoliação excessiva podem aumentar vermelhidão e sensibilidade.
O mesmo vale para secar o rosto esfregando uma toalha. Prefira movimentos suaves.
4. Tentar ressecar completamente a pele
Álcool, adstringentes muito agressivos e várias camadas de produtos secativos podem deixar a pele desconfortável.
A sensação de repuxamento não é sinal de que o tratamento está funcionando. Irritação excessiva pode tornar mais difícil manter medicamentos realmente úteis, como indicam as orientações de cuidado da AAD.
5. Trocar de produto toda semana
Usar um produto por quatro dias, abandonar e começar outro impede avaliar adequadamente sua resposta.
A AAD orienta dar tempo para que tratamentos contra acne mostrem melhora, em vez de mudar constantemente. Alguns resultados começam a ser percebidos ao longo de várias semanas, e a resposta completa pode demorar mais.
6. Dormir com maquiagem
Mesmo uma maquiagem adequada para pele acneica deve ser removida antes de dormir.
Além disso, observe tudo o que entra em contato com seu rosto: protetor, primer, base, corretivo, hidratante, óleo capilar e leave-in podem fazer parte da rotina e merecem ser considerados quando surgem novas lesões.
7. Usar medicamentos por conta própria
Receitas antigas, antibióticos de familiares e medicamentos recomendados por influenciadoras podem oferecer riscos e não tratar a causa do seu quadro.
Acne leve e acne profunda não recebem necessariamente o mesmo tratamento. Também existem diferenças importantes para gestantes, mulheres que tentam engravidar e pessoas com outras condições de saúde.
Acne adulta, manchas e cicatrizes
Uma espinha pode desaparecer e deixar uma lembrança que dura muito mais tempo. Entre mulheres com tendência à hiperpigmentação pós-inflamatória, a marca escura pode se tornar tão incômoda quanto a própria lesão.
Por que espremer pode aumentar o problema?
Manipular uma lesão aumenta o trauma e a inflamação naquela região. Quanto maior a inflamação e a agressão, maior pode ser o risco de uma marca perceptível ou de cicatriz, principalmente em lesões profundas, como alerta a AAD.
Por isso, controlar a acne ativa é parte do cuidado com as marcas.
O que é hiperpigmentação pós-inflamatória?
É uma alteração de pigmentação que pode permanecer depois que a inflamação diminui. Ela não é a mesma coisa que uma cicatriz em relevo ou deprimida.
Essa diferença é importante porque tratamentos para pigmentação e tratamentos para cicatrizes não são necessariamente os mesmos. Para entender melhor outras causas de alterações de cor na pele, você também pode consultar o conteúdo sobre manchas no rosto, tipos, causas e cuidados essenciais.
Quando existe risco maior de cicatriz?
Lesões profundas, inflamadas e manipuladas merecem mais atenção.
Esperar que a acne forme cicatrizes para somente depois procurar tratamento não é a estratégia ideal. Um dos objetivos reconhecidos do tratamento dermatológico é justamente controlar as lesões e reduzir o risco de novas cicatrizes, conforme a AAD.
Quando procurar uma dermatologista?
Nem toda espinha isolada exige consulta imediata. Mas alguns sinais justificam avaliação profissional:
- lesões profundas ou dolorosas;
- acne que persiste apesar de cuidados adequados;
- formação de cicatrizes;
- manchas pós-inflamatórias frequentes;
- piora significativa do quadro;
- suspeita de efeitos de medicamentos;
- alterações menstruais ou outros sinais que levantem suspeita hormonal;
- impacto importante da acne na autoestima ou na vida social;
- necessidade de medicamentos sistêmicos.
Uma consulta não serve apenas para receber uma receita. A dermatologista pode classificar o tipo de acne, avaliar produtos que você já usa, identificar sinais que merecem investigação e organizar um tratamento compatível com sua rotina.
Conclusão
O tema da acne adulta feminina não deve ser reduzido à ideia de que “se apareceu depois dos 25 anos, é hormonal”. A acne pode persistir desde a adolescência ou começar na idade adulta e envolve diferentes mecanismos e fatores individuais, como mostra a literatura dermatológica.
O primeiro passo é abandonar extremos. Nem esfregar o rosto até sentir a pele repuxar nem comprar todos os ácidos disponíveis costuma resolver um problema complexo. Uma rotina gentil, produtos adequados para pele acneica e tratamentos baseados na gravidade das lesões formam um caminho mais racional.
Também é importante observar o contexto. Se junto da acne adulta feminina existem alterações menstruais, sinais de hiperandrogenismo ou outras mudanças, leve essas informações à consulta. Se há nódulos, dor, cicatrizes ou manchas persistentes, procurar uma dermatologista mais cedo pode evitar que o problema deixe marcas difíceis de tratar.
E, principalmente, não compare sua pele com uma sequência perfeita de “antes e depois” das redes sociais. O tratamento adequado é aquele que considera sua pele, sua saúde, sua fase de vida e sua capacidade de manter a rotina.
Se este conteúdo ajudou você a entender melhor a acne na vida adulta, salve para consultar durante sua rotina de cuidados e compartilhe com uma amiga que também vive essa situação. Informação confiável pode evitar tanto a automedicação quanto gastos com produtos que não fazem sentido para o problema.
Perguntas frequentes
É normal ter acne depois dos 30 anos?
Sim, a acne pode continuar ou surgir depois dos 30 anos. A literatura dermatológica reconhece a acne feminina adulta como aquela presente depois dos 25 anos, seja por persistência desde a adolescência ou por início nessa fase da vida, conforme descrito nos Anais Brasileiros de Dermatologia.
Isso não significa que você precise simplesmente aceitar o problema. Acne persistente, dolorosa ou que deixa cicatrizes pode ser tratada e merece avaliação dermatológica.
Como saber se minha acne é hormonal?
Não é possível determinar apenas olhando uma espinha. O padrão da acne, seu histórico, ciclo menstrual, presença de hirsutismo e outros sinais podem ajudar uma médica a decidir se existe motivo para investigação hormonal.
Evite solicitar exames aleatoriamente ou interpretar resultados sozinha. Valores laboratoriais precisam ser analisados dentro de um contexto clínico.
Acne no queixo significa problema hormonal?
Não necessariamente.
Acne no queixo ou na mandíbula pode aparecer em mulheres adultas, mas sua localização isolada não comprova hiperandrogenismo ou síndrome dos ovários policísticos. Uma avaliação considera o conjunto de sintomas e o histórico da paciente.
Síndrome dos ovários policísticos sempre causa acne?
Não. A SOP pode estar associada a manifestações de hiperandrogenismo, incluindo acne em algumas mulheres, mas nem todas apresentam esse sintoma.
Da mesma forma, ter acne não significa automaticamente ter SOP. As diretrizes internacionais ressaltam que a acne isolada é um indicador relativamente fraco de hiperandrogenismo bioquímico.
Qual skincare é indicado para acne adulta?
Não existe uma única rotina universal. Como base, costuma fazer sentido utilizar limpeza gentil, hidratação quando necessária, proteção solar e tratamentos adequados ao tipo de acne.
A AAD orienta evitar esfregar a pele, lavar excessivamente e utilizar cosméticos que favoreçam obstrução dos poros. Produtos não comedogênicos são uma escolha prática para quem tem tendência à acne.
Posso usar maquiagem se tenho acne?
Sim. Ter acne não significa que você precise abandonar maquiagem.
Prefira produtos identificados como não comedogênicos, não compartilhe pincéis ou aplicadores e retire a maquiagem antes de dormir. Se você perceber piora após começar um produto específico, interrompa-o e observe a evolução, seguindo as orientações da AAD.
Espremer espinhas realmente causa manchas?
Manipular espinhas pode aumentar a inflamação e o trauma local, favorecendo marcas e cicatrizes, conforme alertam as orientações dermatológicas da AAD.
Se uma lesão é profunda, dolorosa ou recorrente, tentar retirá-la manualmente em casa tende a trazer mais risco do que benefício.
Quando devo procurar uma dermatologista?
Procure avaliação quando a acne for persistente, profunda, dolorosa, estiver deixando cicatrizes ou manchas frequentes, não melhorar com cuidados básicos ou estiver causando impacto importante em sua qualidade de vida.
Também vale buscar orientação se houver suspeita de alterações hormonais ou se você estiver pensando em utilizar tratamentos como antibióticos, espironolactona, contraceptivos com finalidade terapêutica ou isotretinoína. As opções de tratamento devem ser escolhidas conforme o quadro individual, de acordo com as diretrizes de manejo da acne da AAD.
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